Por que Cuidados Paliativos não devem esperar pela fase terminal

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O tamanho da lacuna: milhões precisam, poucos recebem

Quando falamos em cuidados paliativos, muitas pessoas ainda associam imediatamente o tema à fase final da vida. Essa visão limitada faz com que pacientes e famílias percam a oportunidade de acessar um conjunto de práticas que poderiam melhorar significativamente a qualidade de vida desde muito antes da terminalidade.

A verdade é que os cuidados paliativos desde o diagnóstico de uma doença grave ou crônica mudam a forma como pacientes enfrentam o tratamento, aliviam sintomas, fortalecem vínculos familiares e oferecem suporte emocional e social contínuo. Esse é um dos pilares mais defendidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelas políticas de saúde mais modernas ao redor do mundo. Falamos abertamente sobre este assunto aqui! Vale a pena conferir!

Neste artigo, vamos explorar em detalhes por que os cuidados paliativos não devem esperar pela fase terminal, o que significa introduzir cuidados paliativos previamente na jornada do paciente e como essa prática contribui para uma experiência mais humana, digna e eficiente no sistema de saúde.

O que são Cuidados Paliativos?

Segundo a definição da OMS, cuidados paliativos são uma abordagem que visa melhorar a qualidade de vida de pacientes e familiares que enfrentam problemas associados a doenças que ameaçam a continuidade da vida. Isso é feito por meio da prevenção e alívio do sofrimento, com foco em:

  • Controle da dor e de sintomas físicos (como fadiga, falta de ar, náuseas, entre outros).
  • Apoio emocional e psicológico para paciente e família.
  • Apoio espiritual, respeitando crenças e valores.
  • Suporte social, ajudando famílias a lidar com questões práticas e relacionais.

Ou seja, cuidados paliativos não significam desistência, tampouco estão restritos à fase final da vida. Pelo contrário: podem e devem caminhar junto com o tratamento curativo ou modificador da doença, desde o início da jornada.

O problema do estigma: “paliativo é só no fim”

Grande parte da sociedade e até mesmo muitos profissionais de saúde ainda pensa que os paliativos bem antes da fase terminal não fazem sentido. Essa ideia é fruto de um estigma cultural que precisa ser superado.

Esse mito prejudica diretamente os pacientes, pois posterga o acesso a recursos que poderiam trazer:

  • Menos sofrimento físico ao longo da doença.
  • Maior compreensão sobre a condição e os tratamentos disponíveis.
  • Redução do estresse e da ansiedade de familiares.
  • Apoio nas tomadas de decisão difíceis, garantindo autonomia.

Vários estudos internacionais mostram que introduzir cuidados paliativos cedo melhora não só o bem-estar do paciente, como pode até contribuir para maior adesão ao tratamento e, em alguns casos, aumento da sobrevida.

Um estudo clássico publicado no New England Journal of Medicine reforça a importância de introduzir cuidados paliativos desde o diagnóstico. A pesquisa acompanhou pacientes com câncer de pulmão metastático e mostrou que aqueles que receberam cuidados paliativos precocemente tiveram melhor qualidade de vida, menor índice de sintomas depressivos e até mesmo maior sobrevida em comparação ao grupo que recebeu apenas o tratamento convencional. Esse achado transformou a forma como o mundo enxerga os cuidados paliativos e serve como base para repensarmos práticas clínicas. Você pode acessar o estudo completo aqui.

Quando devemos iniciar cuidados paliativos?

A resposta simples é: o mais cedo possível, a partir do diagnóstico de uma doença grave.

Isso inclui:

  • Doenças oncológicas (como câncer em diferentes estágios).
  • Doenças neurológicas crônicas (como esclerose múltipla, Parkinson, Alzheimer).
  • Doenças cardiovasculares avançadas.
  • Doenças pulmonares crônicas (como DPOC).
  • Doenças renais e hepáticas em progressão.

O objetivo não é substituir o tratamento específico da doença, mas caminhar ao lado dele. É uma abordagem integrativa que vê o paciente como um todo.

Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde, aproximadamente 56,8 milhões de pessoas no mundo necessitam de cuidados paliativos a cada ano, mas apenas cerca de 14% realmente os recebem. E, embora grandes grupos de doenças não transmissíveis (como cardiovasculares, câncer e respiratórias) respondam por boa parte dessa necessidade, doenças infecciosas crônicas graves como HIV e tuberculose também contribuem substancialmente para o sofrimento que exige essa atenção especializada. Acesse o relatório completo da OMS aqui.

Benefícios dos Cuidados Paliativos precoce

1. Melhor Controle de Sintomas

Dor, fadiga, falta de apetite e insônia são comuns em doenças graves. Quando tratados desde cedo, esses sintomas não se acumulam, e o paciente mantém mais autonomia e disposição.

2. Apoio Emocional Contínuo

O diagnóstico de uma doença grave costuma gerar medo e incerteza. O suporte paliativo precoce oferece espaço de acolhimento, reduz ansiedade e promove resiliência.

3. Comunicação Clara e Decisões Conscientes

Equipes de cuidados paliativos ajudam pacientes e famílias a compreender opções de tratamento, riscos e benefícios, promovendo decisões alinhadas aos valores de cada pessoa.

4. Apoio à Família

O adoecimento impacta toda a rede familiar. O suporte precoce prepara cuidadores para lidar com desafios e reduz a sobrecarga emocional.

5. Integração com Equipes de Saúde

Pacientes com acesso precoce a cuidados paliativos têm internações mais curtas, menos idas desnecessárias ao pronto-socorro e tratamentos mais centrados em suas reais necessidades.

Diferença entre cuidados paliativos e cuidados de fim de vida

É essencial destacar: nem todo cuidado paliativo é cuidado de fim de vida.

  • Cuidados paliativos precoces: iniciam junto ao diagnóstico, caminham lado a lado com terapias modificadoras da doença, promovem qualidade de vida.
  • Cuidados de fim de vida: acontecem quando a doença não responde mais a tratamentos curativos e o foco é exclusivamente o conforto do paciente.

Ambos fazem parte do mesmo espectro, mas não são sinônimos.

Evidências científicas: paliativos cedo fazem diferença

Um dos estudos mais citados é o de Temel et al. (2010), publicado no New England Journal of Medicine, que acompanhou pacientes com câncer de pulmão metastático. O grupo que recebeu cuidados paliativos desde o início do tratamento:

  • Relatou melhor qualidade de vida.
  • Apresentou menos sintomas depressivos.
  • Passou por menos intervenções invasivas no fim da vida.
  • Teve maior sobrevida média (quase 3 meses a mais).

Esse resultado reforça que introduzir cuidados paliativos cedo não apenas melhora o conforto, mas também pode impactar positivamente no prognóstico. Você pode acessar o estudo completo aqui.

O papel da comunicação

Falar sobre cuidados paliativos ainda é um desafio. Muitos profissionais sentem receio de “assustar” os pacientes com esse termo. Porém, estudos mostram que quando a conversa é conduzida com clareza e empatia, as famílias recebem a informação como um suporte, não como uma sentença.

Por isso, é essencial que as equipes de saúde aprendam técnicas de comunicação para explicar que paliativos bem antes da fase terminal são uma forma de cuidado ampliado, e não de desistência.

Aspectos éticos e culturais

O acesso precoce aos cuidados paliativos também esbarra em questões éticas e culturais. Algumas famílias ainda acreditam que aceitar esse cuidado é “desistir do paciente”.

Nesse contexto, o trabalho de sensibilização é fundamental para reforçar valores como:

  • Autonomia: o paciente decide o que faz sentido para sua vida
  • Dignidade: o foco está em manter o respeito à história e aos desejos da pessoa.
  • Integralidade: saúde não é apenas ausência de doença, mas bem-estar físico, emocional e espiritual.

O cenário no Brasil

No Brasil, o acesso a cuidados paliativos ainda é desigual. A Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP), aprovada em 2024, trouxe avanços importantes, mas a prática ainda está concentrada em grandes centros urbanos.

Essa realidade reforça a necessidade de formação de profissionais especializados para atender a demanda crescente. À medida que a população envelhece e aumenta a prevalência de doenças crônicas, os cuidados paliativos deixarão de ser exceção e passarão a ser parte essencial do sistema de saúde.

Por que esse tema é importante para profissionais de saúde

Para médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, assistentes sociais e outros profissionais da área da saúde, compreender e aplicar cuidados paliativos desde o diagnóstico é uma competência cada vez mais valorizada.

Não se trata apenas de oferecer conforto, mas de:

  • Aprimorar a prática clínica.
  • Reduzir internações desnecessárias.
  • Promover cuidado centrado no paciente.
  • Atuar em consonância com as diretrizes da OMS e do SUS.
  • Formação em Cuidados Paliativos

Diante desse cenário, cresce a busca por cursos de aperfeiçoamento e especialização em cuidados paliativos. Instituições como o Instituto Paliar oferecem formações que capacitam profissionais para atuar de forma ética, técnica e humana nesse campo.

Esses cursos abordam:

  • Controle de sintomas complexos.
  • Comunicação difícil e apoio familiar.
  • Tomada de decisão compartilhada.
  • Questões éticas e bioéticas.
  • Organização de serviços de cuidados paliativos.

Para quem deseja se diferenciar no mercado e oferecer um cuidado mais completo, investir nessa formação é uma escolha estratégica e transformadora.

Conclusão

Os cuidados paliativos não devem ser vistos como o “último recurso”, mas como parte integrante da jornada de qualquer paciente com doença grave ou crônica.

Introduzir cuidados paliativos cedo significa garantir dignidade, autonomia, alívio do sofrimento e apoio para o paciente e sua família ao longo de todo o processo.

Ao quebrarmos o estigma de que paliativos se limitam ao fim da vida, abrimos espaço para um modelo de cuidado mais humano, eficiente e integrado, que transforma não apenas a experiência do paciente, mas também a prática dos profissionais de saúde.

Se você é profissional da área, essa é a hora de se capacitar e assumir um papel ativo nessa mudança cultural e clínica.

No Instituto Paliar, oferecemos cursos de aperfeiçoamento e especialização que preparam profissionais para atuar com excelência em cuidados paliativos. Se você deseja ampliar sua prática clínica, desenvolver novas competências e impactar positivamente a vida de pacientes e famílias, conheça nossos cursos e faça parte dessa transformação. Siba mais aqui

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Coordenadora de Comunicação e Marketing do Instituto Paliar, desenvolve estratégias criativas para aproximar profissionais, pacientes e sociedade dos Cuidados Paliativos. Com experiência em gestão de marca e produção de conteúdo, acredita no poder da comunicação como ferramenta para inspirar, sensibilizar e ampliar diálogos sobre saúde, cuidado e qualidade de vida.

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